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  <title>Otros Cuadernos de Saramago</title>
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  <description>Otros Cuadernos de Saramago - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Fri, 24 May 2013 09:26:11 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Fri, 24 May 2013 09:25:47 GMT</pubDate>
  <title>[Não escrevo] por amor, mas por desassossego. Escrevo porque não gosto do mundo em que vivo. </title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>&lt;p&gt;[Não escrevo] por amor, mas por desassossego. Escrevo porque não gosto do mundo em que vivo. [“Saramago: ‘Yo no escribo por amor, sino por desasosiego”, &lt;em&gt;El Día&lt;/em&gt;, Tenerife, 15 de janeiro de 2003. Notícia de la Agencia EFE]&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 22 Apr 2013 14:50:20 GMT</pubDate>
  <title>Homem novo</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;section&quot;&gt;
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&lt;p&gt;Culturalmente, é mais fácil mobilizar os homens para a guerra que para a paz. Ao longo da história, a Humanidade sempre foi levada a considerar a guerra como o meio mais eficaz de resolução de conflitos, e sempre os que governaram se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação das guerras futuras. Mas foi sempre em nome da paz que todas as guerras foram declaradas. É sempre para que amanhã vivam pacificamente os filhos que hoje são sacrificados os pais...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Isto se diz, isto se escreve, isto se faz acreditar, por saber-se que o homem, ainda que historicamente educado para a guerra, transporta no seu espírito um permanente anseio de paz. Daí que ela seja usada muitas vezes como meio de chantagem moral por aqueles que querem a guerra: ninguém ousaria confessar que faz a guerra pela guerra, jura-se, sim, que se faz a guerra pela paz. Por isso todos os dias e em todas as partes do mundo continua a ser possível partirem homens para a guerra, continua a ser possível ir ela destruí-los nas suas próprias casas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Falei de cultura. Porventura serei mais claro se falar de revolução cultural, embora saibamos que se trata de uma expressão desgastada, muitas vezes perdida em projectos que a desnaturaram, consumida em contradições, extraviada em aventuras que acabaram por servir interesses que lhe eram radicalmente contrários.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;span&gt;No entanto, essas agitações nem sempre foram vãs. Abriram-se espaços, alargaram-se horizontes, ainda que me pareça que já é mais do que tempo de com- preender e proclamar que a única revolução realmente digna de tal nome seria a revolução da paz, aquela que transformaria o homem treinado para a guerra em homem educado para a paz porque pela paz haveria sido educado. Essa, sim, seria a grande revolução mental, e portanto cultural, da Humanidade. Esse seria, finalmente, o tão falado homem novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;in O Caderno, 7 de maio de 2009&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>homem novo</category>
  <category>revolução</category>
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  <pubDate>Thu, 14 Feb 2013 14:01:38 GMT</pubDate>
  <title>Problemas de hombres</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>&lt;p&gt;Vejo nas sondagens que a violência contra as mulheres é o assunto número catorze nas preocupações dos espanhóis, apesar de que todos os meses se contem pelos dedos, e desgraçadamente faltam dedos, as mulheres assassinadas por aqueles que crêem ser seus donos. Vejo também que a sociedade, na publicidade institucional e em distintas iniciativas cívicas, assume, é certo que só pouco a pouco, que esta vio- lência é um problema dos homens e que os homens têm de resolver. De Sevilha e da Estremadura espanhola chegaram-nos, há tempos, notícias de um bom exemplo: manifestações de homens contra a violência. Até agora eram somente as mulheres quem saía à praça pública a protestar contra os contínuos maus tratos sofridos às mãos dos maridos e companheiros (companheiros, triste ironia esta), e que, a par de em muitíssimos casos tomarem aspectos de fria e deliberada tortura, não recuam perante o assassínio, o estrangulamento, a punhalada, a degolação, o ácido, o fogo. A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica. Há poucos dias, em Huelva, cumprindo as regras habituais dos mais velhos, vários adolescentes de treze e catorze anos violaram uma rapariga da mesma idade e com uma deficiência psíquica, talvez por pensarem que tinham direito ao crime e à violência. Direito a usar o que consideravam seu. Este novo acto de violência de género, mais os que se produziram neste fim-de-semana, em Madrid uma menina assassinada, em Toledo uma mulher de trinta e três anos morta diante da sua filha de seis, deveriam ter feito sair os homens à rua. Talvez 100 000 homens, só homens, nada mais que homens, manifestando-se nas ruas, enquanto as mulheres, nos passeios, lhes lançariam flores, este poderia ser o sinal de que a sociedade necessita para combater, desde o seu próprio interior e sem demora, esta vergonha insuportável. E para que a violência de género, com resultado de morte ou não, passe a ser uma das primeiras dores e preocupações dos cidadãos. É um sonho, é um dever. Pode não ser uma utopia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;In &lt;em&gt;O Caderno 2&lt;/em&gt;, 27 de julho de 2009&lt;/p&gt;</description>
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  <category>violencia</category>
  <category>mujeres</category>
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  <pubDate>Tue, 05 Feb 2013 11:51:41 GMT</pubDate>
  <title>En el centenario de Álvaro Cunhal</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>Não foi o santo que alguns louvavam nem o demónio que outros aborreciam, foi, ainda que não simplesmente, um homem. Chamou-se Álvaro Cunhal e o seu nome foi, durante anos, para muitos portugueses, sinónimo de uma certa esperança. Encarnou convic- ções a que guardou inabalável fidelidade, foi testemunha e agente dos tempos em que elas prosperaram, assistiu ao declínio dos conceitos, à dissolução dos juízos, à perversão das práticas. As memórias pessoais que se recusou a escrever talvez nos ajudassem a compreender melhor os fundamentos da raquítica árvore a cuja sombra se recolhem hoje os portugueses a ingerir os palavrosos farnéis com que julgam alimentar o espírito. Não leremos as memórias de Álvaro Cunhal e com essa falta teremos de nos conformar. E também não leremos o que, olhando desde este tempo em que estamos o tempo que passou, seria provavelmente o mais instrutivo de todos os documentos que poderiam sair da sua inteligência e das suas finas mãos de artista: uma reflexão sobre a grandeza e decadência dos impérios, incluindo aqueles que construímos dentro de nós próprios, essas armações de ideias que nos mantêm o corpo levantado e que todos os dias nos pedem contas, mesmo quando nos negamos a prestá-las. Como se tivesse fechado uma porta e aberto outra, o ideólogo tornou-se autor de romances, o dirigente político retirado passou a guardar silêncio sobre os destinos possíveis e prováveis do partido de que havia sido, por muitos anos, contínua e quase única referência. Quer no plano nacional quer no plano internacional, não duvido de que tenham sido de amargura as horas que Álvaro Cunhal viveu ainda. Não foi o único, e ele o sabia. Algumas vezes o militante que sou não esteve de acordo com o secretário-geral que ele era, e disse-lho. A esta distância, porém, já tudo parece esfumar-se, até as razões com que, sem resultados que se vissem, nos pretendíamos convencer um ao outro. O mundo seguiu o seu caminho e deixou-nos para trás. Envelhecer é não ser preciso. Ainda precisávamos de Cunhal quando ele se retirou. Agora é demasiado tarde. O que não con- seguimos é iludir esta espécie de sentimento de orfan- dade que nos toma quando nele pensamos. Quando nele penso. E compreendo, garanto que compreendo, o que um dia Graham Greene disse a Eduardo Lourenço: «O meu sonho, no que toca a Portugal, seria conhecer Álvaro Cunhal». O grande escritor britânico deu voz ao que tantos sentiam. Entende-se que lhe sintamos a falta.&lt;br /&gt;in O Caderno 2, 31 de julio de 2009</description>
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  <category>álvaro cunhal</category>
  <category>cuadernos</category>
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  <pubDate>Wed, 26 Dec 2012 10:26:51 GMT</pubDate>
  <title>Dona Canô</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>&lt;p&gt;Morreu Dona Canô, mãe de Caetano Veloso, Maria Bethânia e outros seis filhos. Era a matriarca de Santo Amaro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dos &lt;em&gt;Cadernos de Lanzarote, Diário IV&lt;/em&gt;, uma passagem não escrita por José Saramago mas sim por Pilar del Río, a pedido do Autor, contando a passagem por Santo Amaro, ao som de Caetano Veloso perante a presença de Dona Canô:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O dia terminou em Santo Amaro, onde, como diziam os autocolantes que as pessoas levavam e que conservamos, «vi e ouvi Caetano em Santo Amaro». Há uns anos, José e eu ouvimos Miguel Ríos em Granada: «Volto a Granada, volto ao meu lar», cantava o roqueiro, e o som (todo ele) era tão cálido, tão de dentro, que José́ escreveu um artigo para o &lt;em&gt;Diario 16&lt;/em&gt;, intitulado «Alegria do português que foi a Granada», em clara alusão à canção de Miguel Ríos, de regresso à sua terra, e a Rafael Alberti, que escreveu, quando do assassínio de Lorca, aquele memorável poema que se chama &lt;em&gt;Nunca Fui a Granada&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em Santo Amaro repetiram-se aquelas emoções. Cantava Caetano Veloso no lugar onde nasceu, na praça de uma cidade em festa. Esperavam-no os seus, a sua imensa família, as pedras das ruas, também aqui animadas, e as janelas das casas, todas elas repletas de ansiosos ouvintes de Caetano. E dos amigos de Caetano, porque o artista, como oferta de surpresa, apresentou os seus amigos, Gilberto Gil entre eles, que contribuíram, com os seus diferentes ritmos, para tornar maior a noite. A um lado do palco, majestosa, uma anciã de cabelo branco recolhido permanecia, elegantemente sentada, atenta aos músicos e aos espectadores. Olhávamo-la hipnotizados. Era Dona Canô, a mãe de Caetano, um pouco a mãe de Santo Amaro, animadora de todas as caridades, confidente de penas (as alegrias apregoam-se) e distribuidora da porção de paz de que todos precisamos para poder sobreviver. Também é uma excelente cozinheira, mas aqui «falta-lhe» a generosidade: ela, que dá de comer a quem tem necessidade ou a quem procura o prazer do gosto, emudece quando se lhe fala de revelar os seus segredos culinários. Muitas editoras brasileiras lhe pediram que escreva as suas receitas, mesmo os seus próprios filhos, todos magníficos gastrónomos, desconhecem o toque mágico que cada prato cozinhado por Dona Canô encerra. Eu creio que o elixir da sabedoria, na cozinha como na vida, é a generosidade. Talvez por isso ela não possa revelar nada: os pratos, simplesmente, saem-lhe assim, porque os faz para outros, com amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/YDcvC2nFbUA&quot; width=&quot;420&quot; height=&quot;315&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>dona cano</category>
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  <pubDate>Wed, 22 Aug 2012 16:48:36 GMT</pubDate>
  <title>El Perro da tres vueltas</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>19 de agosto de 1996&lt;br /&gt;El perro da tres vueltas sobre sí mismo, se tumba, se acomoda, suspira profundamente. Las vueltas, creemos saber por qué las da. Aun cuando el suelo que pisa sea una al- fombra, un cojín, una simple tabla lisa, el perro conserva grabada en los circuitos arcaicos del cerebro la necesidad silvestre de acamar la hierba y el mato antes de tumbarse, como hacían los lobos sus antepasados y los de ahora siguen haciendo. Nunca estuve tan cerca de un lobo como para ver si también ellos suspiran cuando se echan. Tal vez sí. Sin embargo, prefiero pensar que el suspiro de los perros les viene del hábito, durante siglos y siglos, de oír suspirar al os humanos. Ahora mismo, uno tras otro,los perros que viven en esta casa —Pepe, Greta y Camões— dieron sus tres vueltas, se tumbaron a nuestros pies, y suspiraron. Ellos no saben que yo también suspiraré cuando me acues- te. Probablemente, todos los seres vivos suspiran así cuan- do se tienden, probablemente, está hecho de suspiros el silencio que precede al sueño del mundo. Me pregunto ahora: ¿dónde acabo yo y comienza mi perro?, ¿dónde acaba mi perro y comienzo yo?&lt;br /&gt;(Cuadernos de Lanzarote, 2)</description>
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  <category>cuadernos de lanzarote</category>
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  <pubDate>Thu, 16 Aug 2012 11:46:17 GMT</pubDate>
  <title>El aviador que salvó Badajoz</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>9 de febrero de 1995&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para la historia de la aviación. En Badajoz le han dado hoy nombre a una calle. El motivo, la causa, el pretexto, la razón o como quiera llamársele, tienen ya más de cincuenta años, y muy fuertes habrán sido para sobrevivir a los olvidos acumulados por dos generaciones, justificados éstos, en general, por el hecho de que la gente tiene más en qué pensar. No diré yo que los habitantes de Badajoz se tomaron este medio siglo y pico transmitiéndose unos a los otros el certificado de una deuda que un día tendría que ser pagada, lo que digo es que algún badajoceño escrupuloso debe de haber tenido un remordimiento más o menos en estos términos: &quot;Muchos de los que hoy viven estarían muertos, otros no habrían llegado a nacer&quot;. Parecerá un enigma de la esfinge y en el fondo es sólo una historia de aviación. Hace cincuenta y tantos años, durante la guerra civil, un aviador republicano recibió la orden de bombardear Badajoz. Fue, sobrevoló la ciudad, miró hacia abajo. ¿Y qué vio cuando miró hacia abajo? vio gente, vio personas. ¿Qué hizo entonces el guerrillero? Desvió el avión y fue a soltar las bombas al campo. Cuando volvió a la base y dio cuenta del resultado de la misión, comunicó que le parecía haber matado una vaca. &quot;¿Y Badajoz?&quot;, le preguntó el capitán. &quot;Nada, allí había personas&quot;, respondió el piloto. &quot;Bueno&quot;, dijo el superior, y, por imposible que parezca, el aviador no fue llevado a conejo de guerra... Ahora hay en Badajoz una calle con el nombre de un hombre que un día tuvo gente en la mira de sus bombas y pensó que ésa era justamente una buena razón para no soltarlas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Llueve después de cuatro meses sin caer una gota. El viento empezó soplando hacia el noroeste ayer al principio de la noche. Esta mañana, nubes bajas, grises, avanzaban de la zona de Femés. Hacia el este el cielo aún estaba medio descubierto, pero el azul ya tenía un tono aguado, señal de lluvia en breve. A mediodía el viento creció, las nubes descendieron más, empezaron a caer por las laderas de los montes, casi rozando el suelo y, en poco tiempo, cubrieron todo el horizonte de aquel lado. Fuerteventura desapareció en el mar. La primera lluvia se limitó a unas dispersas y finas gotas, menos que una llovizna, un polvo de agua, pero quince minutos después ya caía en hilos continuos, después en cuerdas gruesas que ele viento iba empujando en nuestra dirección. Vimos avanzar la lluvia en cortinas sucesivas, pasaba delante de nosotros como si no tuviese intención de detenerse, pero el suelo resecado respiraba ávidamente el agua. El más puro de todos los olores, el de la tierra mojada, nos embriagó durante un instante. &quot;Qué bonito es el mundo&quot;, dije yo. Pilar, en silencio, apoyó la cabeza en mi hombro. Ahora son las ocho de la tarde, continúa lloviendo. El agua ya debe de haber llegado a las raíces más profundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuadernos de Lanzarote I (1993-1995)</description>
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  <category>cuadernos de lanzarote</category>
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  <pubDate>Thu, 02 Aug 2012 13:08:43 GMT</pubDate>
  <title>&quot;Entra, has encontrado tu casa&quot;</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/158098.html</link>
  <description>&lt;p&gt;De Saramago a Pepe, Greta y Camões. Los perros de Saramago son tres. Y los tres, por ese orden, llamaron un día a su puerta. Perros que vinieron a corregir un miedo de niñez en la memoria del escritor. Perros que, en realidad, son uno solo: el imaginario.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;El perro es el mejor amigo del hombre. Eso me enseñaban en los tiempos de la vieja instrucción primaria, con clases por la mañana y festivo los jueves. El profesor era un hombre alto y calvo, grave en su posición de director, pero amigo de los alumnos y nada exagerado en la disciplina. Ponía mucho empeño en cuestiones de formación moral, y el perro era uno de sus grandes temas. Una vez al mes, como mínimo, había lección sentimental sobre las proezas del pueblo canino: &quot;pilotos&quot; abandonados que regresaban a la casa del dueño después de recorrer centenas de kilómetros, abnegados &quot;guadianas&quot; que se lanzaban al agua para salvar niños (&quot;pagad el mal con el bien&quot;) de los cuales, acaso, habían recibido algún maltrato. En fin, ideas educativas de hace cien años.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No me sirvieron de mucho las lecciones de mi profesor. Los perros que fui conociendo a lo largo de mi existencia siempre hicieron gala de una obstinada animadversión hacia mi persona. O porque olfatearan el miedo, o porque les irritara la falta de gracia con que intentaba disimularlo, siempre hubo entre los perros y yo, sino la guerra abierta de la que sólo yo saldría perdedor, por lo menos una relación de mutua e desconfiada reserva. Recuerdo com despecho, por ejemplo, aquel &lt;em&gt;chucho&lt;/em&gt; castaño que venía corriendo por la callejuela estrecha y sin resguardos, arrastrando tras de sí una cadena rota, y que, sin aviso, o tal vez por cualquier gesto brusco que yo hiciera (&quot;el perro sólo ataca si se le provoca&quot;), si es que no mostré iemplemente temor (&quot;nunca se debe huir de un perro, es un animal noble y no ataca por la espalda&quot;), me echó los dientes a su paso y, después de rasgarme una espinilla, dejándola escurriendo sangre, siguió su camino, meneando el rabo de pura alegría. No muchos años más tarde, andaba yo vagando, como era mi costumbre, por los alrededores de la aldea,  entre árboles y cañaverales, cuando de repente me doy de narices con un perro. Lo conocía de vista y de la mala fama que tenía, un gigante de raza indefinida y avieso carácter que no toleraba intrusos en su territorio y se divertía partiendo por el espinazo, en menos tiempo de lo que lleva decirlo, cualquier bicho que se pusiera por delante. (Tal como el &lt;em&gt;chucho&lt;/em&gt; castaño, éste tampoco había estado en las lecciones de mi profesor.) Ahora bien, quiso la casualidad, o la providencia, que yo llevara conmigo una caña gruesa y larga para ayudarme en las subidas y las bajadas de la caminata. Cuando aquel fantasma me salió al frente, sólo pude alargar la caña en un movimiento instintivo, con la punta a un palmo del hocico del malvado, y allí nos quedamos los dos durante no sé cuantos minutos, el dragón a brincos, fintando y gruñendo, simulando indiferencia para entonces volver a la carga, yo sudando de pavor, con la voz anudada en la garganta, lejos de cualquier socorro, abandonado al negro destino.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escapé. Al final, el bruto se cansó. Después de observarme largamente, con minucia, como si me tomara las medidas, le pareció que yo no era digno de su cólera. Dio media vuelta y desapareció en un trompicar corto y desdeñoso, sin mirar atrás. Yo me fui alejando despacio, a reculones, todavía temblando, hasta que llegué a casa y conté lo sucedido a una tía mía que no creyó en la historia. Era tal la reputación del monstruo, que decir yo que lo había vencido con una simple caña le hubo de parecer la más descarada de las mentiras...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir de entonces, y creyendo que así iría a ser para siempre, perdí la confianza en la pregonada bondad de los perros, ésa de la que mi viejo profesor había sido tan convicto propagandista. Probablemente nunca pensó que entre los perros y los hombres no hay grandes diferencias: unos son buenos, otros malos, otros ni una cosa ni otra. Algunas veces me he preguntado qué lección podría él darnos respecto a ciertos cánidos que andan por ahí, bien tratados, con pelo brillante, pata fuerte y diente afilado, dotados de un profundo conocimiento de la anatomía humana y de los modos más eficaces de damnificarla. A él que tanto le gustaba explicarnos los complementos-circunstanciales-de lugar, sin saber en qué lides nos iba a meter...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pasados muchos muchos años, en otra tierra, bajo otro cielo, un perro apareció en mi puerta. Tenía hambre y sed. Le dimos agua y comida, y lo echamos. Volvió pocas horas después y nos miró. Entonces le dijimos: &quot;Entra, has encontrado tu casa&quot;. No fue él único. Otros dos, cada uno por su lado, vinieron a preguntar si la casa también estaba abierta para ellos. Les dijimos que sí. Se llaman, por orden, Pepe, Greta y Camões. Son nuestros perros, y está todo dicho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No, no está todo dicho. Este hombre que no se averguenza de confesar que tenía miedo de los perros dedicó parte de su trabajo de escritor a crear, a inventar, a modelar figuras de perro, como sí, ya que temía a los otros, estuviera en su mano corregir los errores de la naturaleza. Así puso en el mundo de la literatura al perro Constante de &lt;em&gt;Levantado del suelo&lt;/em&gt;, al perro del hilo de lana azul de &lt;em&gt;La balsa de piedra&lt;/em&gt;, al Encontrado de &lt;em&gt;La caverna&lt;/em&gt;, al perro de las lágrimas del &lt;em&gt;Ensayo sobre la ceguera&lt;/em&gt;. Ése respecto al que he dicho que, si aquello que escribí llegara a sumirse en el olvido, al menos que de mí quedara la memoria de haber dado vida a un perro en el que palpitaba el corazón del mejor de los humanos...&lt;/p&gt;</description>
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  <category>ensayo sobre la ceguera</category>
  <category>levantado del suelo</category>
  <category>cão camões</category>
  <category>la caverna</category>
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  <pubDate>Mon, 28 May 2012 12:11:15 GMT</pubDate>
  <title>Memórias de 1934</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;section&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;layoutArea&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;28 &lt;/span&gt;&lt;span&gt;de mayo de 1996&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Encuentro en la editorial Caminho algunas cartas de lectores que todavía no conocen mi dirección... Una de ellas trae en el remite un apellido que me es familiar desde hace &lt;/span&gt;&lt;span&gt;más de sesenta años, desde 1934 precisamente, cuando, tras dejar el Liceo Gil Vicente, inicié mis estudios en la Escuela Industrial de Afonso Domingues, de la que saldría con la formación de cerrajero mecánico. Durante el tiempo que anduve por allí, fue mi profesor de mecánica y de matemáticas el ingeniero Jorge O’Neill, que, catorce años más tarde, me daría trabajo en la Companhia Previdente (de la que era consejero delegado), cuando, a raíz de la campaña presidencial de Norton de Matos, me despedí, antes de que me despidieran, de la Caixa de Previdência donde trabajaba. Un cierto doctor Góis Mota, ayudante de la Procuraduría General de la República, comandante de la Brigada Naval de la Legión Portuguesa y «fiscal» del comportamiento político de los empleados de la Caixa, de la que era asesor jurídico, nos abrió, a un colega y a mí, una caricatura de proceso disciplinario, durante el cual me dijo &lt;/span&gt;&lt;span&gt;(sic) &lt;/span&gt;&lt;span&gt;que si mis camaradas hubieran ganado, él estaría colgado de una farola de la Avenida... Mi culpa visible había sido, simplemente, la de no acatar la orden de que todo el personal debería concentrarse, el día de la elección, ante la puerta de la sección de voto del Liceo de Camões, porque él, Góis Mota, según decía, había requerido y tenía en su poder todos nuestros certificados de elector, para que así pudiésemos ir a votar a una sección que no fuera la nuestra. El legionario Góis Mota, ayudante del procurador de la República, estaba mintiendo: voté en Graça, como debía, y nadie me dijo que, por haberse facilitado un certificado de elector, no podía votar allí. (En la siguiente elección mi nombre dejaría de constar en los registros electorales).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;span&gt;La carta que tenía ahora en las manos estaba firmada por Madalena O’Neill y me recordaba, como se re&lt;/span&gt;cuerda un sueño, los días en que, a petición del padre, yo frecuentaba su casa de Junqueira para organizar, clasificar y ordenar la vieja biblioteca de la familia. Ésta es la historia:&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;span&gt;«Hace unos años, no tan pocos como quisiéramos, una muchachita, todavía niña, esperaba ansiosamente a un señor que, a sus ojos, era muy alto y muy delgado, con unas gafas de aro marrón y una camisa blanca. Quizá unos tirantes sosteniéndole los pantalones. Tengo esa impresión, pero ya no sé. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;»Esa niña tenía una pasión secreta por ese señor, digo pasión porque no encuentro otra palabra más adecuada, nada tiene que ver con la de un adulto. Se negaba a irse a su habitación antes de que él llegara, pero, cuando él llegaba, su timidez la enmudecía, y se limitaba a quedarse allí en silencio viéndolo trabajar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;»Un día su padre recibió de regalo un pisapapeles que a ella le parecía maravilloso. Era de cristal y tenía un efecto de colores dentro, no sé si no tendría también algún anuncio de cualquier producto, lo que ciertamente estropearía la pieza, pero a ella le gustaba aquella bola de vidrio y no le quitaba los ojos de encima. El padre, cuando se dio cuenta del valor que aquel objeto tenía para su hija, se lo regaló, y fue ése uno de los días más felices de su vida. Nunca más se separó de la tal bola, que para ella era mágica. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;»Llegó un día en que ella quiso que el tal señor supiera lo que sentía por él y, despidiéndose de su querida bola, que también había tenido un lugar en su cora- zón, se la entregó sin pestañear. El tal señor, que miraba todo admirado, todavía preguntó: “¿Estás segura de que me la quieres dar?”. A lo que ella, azorada, pero con fir&lt;/span&gt;meza, dijo que sí. No fue capaz de decirle nada más y se quedó felicísima de haber tenido el valor de hacer tal gesto.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
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&lt;p&gt;&lt;span&gt;»Pasaron algunas decenas de años y la tal niña de entonces, que ahora ya está bien crecida, sigue recordándolo todo, porque todo lo importante que pasa en un corazón que todavía no está muy estragado con esta vida llena de obstáculos, queda registrado para siempre. No sé si podré decir lo mismo del tal señor, que, pese a haber recibido un regalo salido de un corazón tan abierto, quizá no le diera valor alguno, no digo al objeto, sino al acto de aquella niña. A mí me gustaría saber que sí, pero tengo la casi seguridad de que la respuesta es no, porque las personas, cuando llegan a adultas, cierran los corazones y abren las cabezas, donde sólo existe lo racional». &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;A partir de aquí la carta trata de un asunto de naturaleza profesional, que no tiene que entrar en estos &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Cuadernos. &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Responderé a Madalena O’Neill un día de éstos, después de haber puesto en orden mi propia memoria. Una cosa sí sé: no usaba tirantes... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Voy andando hacia la Escuela Secundaria dos Anjos, donde tendré un encuentro con alumnos para hablar de &lt;/span&gt;&lt;span&gt;El año de la muerte de Ricardo Reis, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;voy pensando, agradecido, en la niña que me quería y me ofreció, como prueba de su amor, hace cuarenta años, el pisapapeles de cristal que le había regalado su padre, y he aquí que otra niña viene directa hacia mí con una flor en la mano, de ésas sin nombre que la primavera hace nacer entre las piedras, y me pregunta: «¿La quiere?». &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;in &quot;cuadernos de lanzarote II&quot; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;(1996-1997)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 16 May 2012 09:25:01 GMT</pubDate>
  <title>Carlos Fuentes</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
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  <description>&lt;p&gt;Carlos Fuentes, creador de la expresión “territorio de La Mancha”, una fórmula afortunada que expresa la diversidad y la complejidad de las vivencias existenciales y culturales que unen la Península Ibérica y América del Sur, acaba de recibir en Toledo el Premio D. Quijote. Lo que sigue es mi homenaje al escritor, al hombre, al amigo.El primer libro de Carlos Fuentes que leí fue “Aura”. Aunque no he vuelto a él, guardo desde aquel día (más de cuarenta años han pasado) la impresión de haber penetrado en un mundo diferente a todo lo que había conocido hasta entonces, una atmósfera compuesta de objetividad realista y de misteriosa magia, en que estos contrarios, en el fondo más aparentes que efectivos, se fundían para crear en el espíritu del lector una vibración singular en todos los aspectos. No han sido muchos los casos en que el encuentro con un libro haya dejado en mi memoria un tan intenso y perenne recuerdo.No era un tiempo en que las literaturas americanas (a las del Sur, me refiero) gozasen de un especial fervor del público ilustrado. Fascinados desde generaciones por las &lt;em&gt;lumières&lt;/em&gt; francesas, hoy empalidecidas, observamos con cierta displicencia (la fingida displicencia de la ignorancia que sufre por tener que reconocerse como tal) lo que se iba haciendo a este lado del río Grande y que, para agravar la situación, aunque pudiera viajar con relativa comodidad a España, apenas se detenía en Portugal. Existían lagunas, libros que simplemente no aparecían en las librerías, y también padecíamos la angustiosa falta de una crítica competente que nos ayudase a encontrar, en lo poco que iba siendo puesto a nuestro alcance, lo mucho de excelente que aquellas literaturas, luchando en tantos casos con dificultades semejantes, iban elaborando. Tal vez en el fondo hubiera otra explicación: los libros viajaban poco, pero nosotros todavía viajábamos menos.Mi primer viaje a México fue para participar, en Morelia, en un congreso sobre la crónica. No tuve tiempo entonces para visitar librerías, pero ya frecuentaba con asiduidad la obra de Carlos Fuentes a través de, por ejemplo, la lectura de libros fundamentales como “La región más trasparente” y “La muerte de Artemio Cruz”. Entonces ya era evidente para mí también que estaba ante un escritor de altísima categoría artística y de una infrecuente riqueza conceptual. Más tarde, otra novela extraordinaria, “Terra nostra” me abrió nuevas perspectivas y de ahí en adelante, sin que sea necesario referir otros títulos (salvo “El espejo enterrado” libro de fondo, indispensable para un conocimiento sensible y consciente de América de Sur, como siempre me gusta denominar a esa parte del mundo) me reconocí, definitivamente, como devoto admirador del autor de “Gringo Viejo”. Conocía al escritor, me faltaba conocer al hombre y ese momento no tardó en llegar, aunque fue necesario que antes me lanzara en esta cosa de escribir. A partir de ahí nos fuimos encontrando en diferentes países, en nuestras casas respectivas, en actos académicos tutelados por Julio Cortázar y bajo la mirada, siempre benevolente y algo irónica de García Márquez, nos presentamos amigos que pasaron a serlo de uno y otro, y así hasta que una noche, en el DF, en un bailongo en que se festejaba el aniversario de un libro tan transparente como antaño lo fue la ciudad descrita, Fuentes me declaró portugués y mexicano y supe que aquella declaración me comprometía mucho. Desde luego a la reciprocidad, de modo que ahora tengo que declararlo a él, en Lisboa, mexicano y portugués, asunto que debe realizarse cuanto antes, porque hay motivo y es la hora en punto.Y por fin, una confesión. No soy persona que pueda ser fácilmente intimidada, muy por lo contrario, pero mis primeros contactos con Carlos Fuentes, en todo caso siempre cordiales, como era de esperar tratándose de dos personas bien educadas, no fueron fáciles, no por su culpa, sino por una especia de resistencia que me impedía aceptar con naturalidad lo que en Carlos Fuentes era naturalísimo, y que no es otra cosa que su forma de vestir. Todos sabemos que Fuentes viste bien, con elegancia y buen gusto, la camisa sin una arruga, los pantalones con la raya perfecta, pero, por ignotas razones, pensaba yo que un escritor, especialmente si pertenecía a esa parte del mundo, no debería vestir así. Gran equivocación mía. Al final, Carlos Fuentes hizo compatible la mayor exigencia crítica, el mayor rigor ético, que son los suyos, con una corbata bien elegida. No es pequeña cosa, créanme.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(14 de Octubre 2008)&lt;/p&gt;</description>
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  <category>carlos fuentes</category>
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  <pubDate>Wed, 16 May 2012 09:14:54 GMT</pubDate>
  <title>Carlos Fuentes en Lanzarote</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/157406.html</link>
  <description>&lt;div class=&quot;section&quot;&gt;
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&lt;div class=&quot;column&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Carlos Fuentes, el gran escritor mexicano, a quien admiro desde que, hace muchos años ya, leí ese libro fascinante que es &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Aura, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;estuvo ayer en Lanzarote. Vino con su mujer, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;la periodista Silvia Lemus, estuvieron algunas horas (dos de las cuales ocupadas en una entrevista que le di a Silvia), y juntos visitamos la Fundación César Manrique. Quedó claro, desde el primer momento, que estábamos colocan- do la primera piedra de una amistad que se consolidará (estoy seguro de eso) en el viaje que Pilar y yo haremos, el próximo año, a México. Registro aquí el recogimiento con que Carlos Fuentes leyó el poema de Rafael Alberti dedi- cado a César Manrique, aquel que está en la Fundación: &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Vuelvo a encontrar mi azul... &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Al final, Fuentes dijo: «Poetas como Alberti y Neruda convierten en poesía todo lo que tocan». Fue un gran día para Lanzarote.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Cuadernos de Lanzarote II &lt;/span&gt;&lt;span&gt;(1996-1997), &lt;span&gt;28 &lt;/span&gt;&lt;span&gt;de agosto de 1997&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <category>carlos fuentes</category>
  <category>lanzarote</category>
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  <pubDate>Mon, 07 May 2012 13:20:45 GMT</pubDate>
  <title>El viejo, el joven y el burro</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/156973.html</link>
  <description>Los desencuentros y turbulencias de la relación entre Portugal y Brasil son consecuencia probablemente de un equívoco. Se nos metió en la cabeza que estamos obligados a unirnos por un amor más que perfecto, por una comprensión ejemplar, por una ligazón espiritual sin par en el universo. Y que si no puede ser así, entonces no vale la pena. Oscilamos, por lo tanto, entre el todo y la nada, como si anduviésemos incubando desde hace siglos una pasión tempestuosa (en todo caso más sufrida en este lado que en aquél), la cual, no pudiendo alcanzar la consu- mación plena, fue alimentándose de pequeñas anécdotas, de pequeños despechos, de pequeños rencores, siempre demostrativos de que la culpa es del otro. La historia del viejo, del joven y del burro parece haber sido escrita para mostrar cómo en el día a día de la relación entre portugueses y brasileños se originan conflictos, se insinúan sospechas de segundas intenciones, se diseñan conscientes o inconscientes desdenes. Claro que el símil no es exacto en todos sus extremos. Si es cierto que los portugueses no se opondrían demasiado a desempeñar el papel de viejo (así lo aconsejarían los siglos de historia de que tanto se presume), si el personaje del joven les sienta como un guante a los brasileños (independientes, por decirlo así, desde anteayer), es dudoso que haya alguien en cualquiera de las dos márgenes atlánticas dispuesto a reconocerse en el burro, incluso siendo el que menos culpa tiene en la historieta. Que para ilustración de nuevas generaciones brevemente se narra.&lt;br /&gt;(El abuelo iba a pie y el nieto en el burro. Se cruzaron con una persona a quien le pareció mal el caso: qué vergüenza, el pobre viejo andando y el joven regalado en el aseladero. Atento a los murmullos del mundo, el abuelo hizo bajar al joven y ocupó el lugar en el lomo del jumento. Inmediatamente protestó otro contra el atentado: el infeliz niño pisando el polvo de los caminos, mientras el malandrín del viejo viaja repanchingado en la albarda. Bajó entonces el abuelo y decidió que seguirían los dos a pie, dejando al burro sin carga. Pero pronto otro paseante se rió de la estupidez: ésos tienen una bestia de carga y no se sirven de ella. Ante esto el viejo volvió a sentar al nieto en el burro y se montó detrás, pero enseguida apareció otra persona protestando contra la crueldad con que los despiadados trataban al animalico, obligándolo a aguantar doble carga. Entonces el viejo dijo: “Dejemos que digan lo que quieran y vayamos como al principio”. Subió el nieto al lomo del jumento, y, con la lección aprendida, siguieron los tres su destino).&lt;br /&gt;Hay mucho de esta historia del viejo, el joven y el burro en las relaciones luso-brasileñas. No damos un paso sin que nos atropellen dificultades, unas que nacen allí, otras que vienen de lejos pero renovadas y mejoradas para la ocasión. Todavía las firmas no se han secado en algunos tratados y acuerdos laboriosamente tejidos y ya los patriotas con carnet de un lado y otro comienzan a gritar que nos están engañando. Nunca se ha visto a gente que desconfíe tanto del compañero al que al mismo tiempo llama hermano. Sobre la mesa se asiste a un florecer continuo de retórica vana, bordada de artificios y apariencias, mientras por debajo hierven las chanzas y los chistes insultantes. Se pone milagrosamente de pie, tente no te caigas, una CPLP (Comunidad de Países de Lengua Portuguesa), e inmediatamente se comienza a minar el suelo para que se desmorone y hunda. Proclamamos reciprocidad de derechos y enseguida tratamos de cerrar la puerta a quien los reivindica. Imaginamos una fraternidad que no existe de hecho, hacemos de ella un techo bajo el cual nos abrigaríamos juntos, como hermanos o primos carnales, y todos los días vemos que el tal techo no tiene columnas que lo sustenten duradera- mente, que casi todo lo que debajo se dice y se hace es para desmentirlo o anularlo al día siguiente.&lt;br /&gt;Pongamos entonces el amor a un lado, dejémonos de hermandades postizas, compórtese Portugal como si Brasil fuera cualquier otro país con el que simplemente mantiene buenas relaciones. Haga Brasil lo mismo en relación con nosotros. Después identifiquemos intereses comunes a los dos países, definamos claramente las opciones, pongamos los medios necesarios, y, acometido esto, trabajemos juntos. Sin discursos. ¿Quién sabe si el amor (un verdadero amor hecho de respeto mutuo y de dignidad discreta) no vendrá después? Ya se ha intentado todo, y no ha dado resultado. Al menos el abuelo de la historia acabó comprendiendo.&lt;br /&gt;(publicado en la revista Visão y en Cuadernos de Lanzarote, 2, 14 setembre 1997)</description>
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  <pubDate>Thu, 05 Apr 2012 13:39:04 GMT</pubDate>
  <title>El factor Dios</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/156904.html</link>
  <description>&lt;p&gt;En algún lugar de la India. Una fila de piezas de artillería en posición. Atado a la boca de cada una de ellas hay un hombre. En primer plano de la fotografía, un oficial británico levanta la espada y va a dar orden de disparar. No disponemos de imágenes del efecto de los disparos, pero hasta la más obtusa de las imaginaciones podrá &apos;ver&apos; cabezas y troncos dispersos por el campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, miembros amputados. Los hombres eran rebeldes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En algún lugar de Angola. Dos soldados portugueses levantan por los brazos a un negro que quizá no esté muerto, otro soldado empuña un machete y se prepara para separar la cabeza del cuerpo. Esta es la primera fotografía. En la segunda, esta vez hay una segunda fotografía, la cabeza ya ha sido cortada, está clavada en un palo, y los soldados se ríen. El negro era un guerrillero.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En algún lugar de Israel. Mientras algunos soldados israelíes inmovilizan a un palestino, otro militar le parte a martillazos los huesos de la mano derecha. El palestino había tirado piedras. Estados Unidos de América del Norte, ciudad de Nueva York. Dos aviones comerciales norteamericanos, secuestrados por terroristas relacionados con el integrismo islámico, se lanzan contra las torres del World Trade Center y las derriban. Por el mismo procedimiento un tercer avión causa daños enormes en el edificio del Pentágono, sede del poder bélico de Estados Unidos. Los muertos, enterrados entre los escombros, reducidos a migajas, volatilizados, se cuentan por millares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Las fotografías de India, de Angola y de Israel nos lanzan el horror a la cara, las víctimas se nos muestran en el mismo momento de la tortura, de la agónica expectativa, de la muerte abyecta. En Nueva York, todo pareció irreal al principio, un episodio repetido y sin novedad de una catástrofe cinematográfica más, realmente arrebatadora por el grado de ilusión conseguido por el técnico de efectos especiales, pero limpio de estertores, de chorros de sangre, de carnes aplastadas, de huesos triturados, de mierda. El horror, escondido como un animal inmundo, esperó a que saliésemos de la estupefacción para saltarnos a la garganta. El horror dijo por primera vez &apos;aquí estoy&apos; cuando aquellas personas se lanzaron al vacío como si acabasen de escoger una muerte que fuese suya. Ahora, el horror aparecerá a cada instante al remover una piedra, un trozo de pared, una chapa de aluminio retorcida, y será una cabeza irreconocible, un brazo, una pierna, un abdomen deshecho, un tórax aplastado. Pero hasta esto mismo es repetitivo y monótono, en cierto modo ya conocido por las imágenes que nos llegaron de aquella Ruanda- de-un-millón-de-muertos, de aquel Vietnam cocido a napalm, de aquellas ejecuciones en estadios llenos de gente, de aquellos linchamientos y apaleamientos, de aquellos soldados iraquíes sepultados vivos bajo toneladas de arena, de aquellas bombas atómicas que arrasaron y calcinaron Hiroshima y Nagasaki, de aquellos crematorios nazis vomitando cenizas, de aquellos camiones para retirar cadáveres como si se tratase de basura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Siempre tendremos que morir de algo, pero ya se ha perdido la cuenta de los seres humanos muertos de las peores maneras que los humanos han sido capaces de inventar. Una de ellas, la más criminal, la más absurda, la que más ofende a la simple razón, es aquella que, desde el principio de los tiempos y de las civilizaciones, manda matar en nombre de Dios. Ya se ha dicho que las religiones, todas ellas, sin excepción, nunca han servido para aproximar y congraciar a los hombres; que, por el contrario, han sido y siguen siendo causa de sufrimientos inenarrables, de matanzas, de monstruosas violencias físicas y espirituales que constituyen uno de los más tenebrosos capítulos de la miserable historia humana. Al menos en señal de respeto por la vida, deberíamos tener el valor de proclamar en todas las circunstancias esta verdad evidente y demostrable, pero la mayoría de los creyentes de cualquier religión no sólo fingen ignorarlo, sino que se yerguen iracundos e intolerantes contra aquellos para quienes Dios no es más que un nombre, nada más que un nombre, el nombre que, por miedo a morir, le pusimos un día y que vendría a dificultar nuestro paso a una humanización real. A cambio nos prometía paraísos y nos amenazaba con infiernos, tan falsos los unos como los otros, insultos descarados a una inteligencia y a un sentido común que tanto trabajo nos costó conseguir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dice Nietzsche que todo estaría permitido si Dios no existiese, y yo respondo que precisamente por causa y en nombre de Dios es por lo que se ha permitido y justificado todo, principalmente lo peor, principalmente lo más horrendo y cruel. Durante siglos, la Inquisición fue, también, como hoy los talibán, una organización terrorista dedicada a interpretar perversamente textos sagrados que deberían merecer el respeto de quien en ellos decía creer, un monstruoso connubio pactado entre la Religión y el Estado contra la libertad de conciencia y contra el más humano de los derechos: el derecho a decir no, el derecho a la herejía, el derecho a escoger otra cosa, que sólo eso es lo que la palabra herejía significa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Y, con todo, Dios es inocente. Inocente como algo que no existe, que no ha existido ni existirá nunca, inocente de haber creado un universo entero para colocar en él seres capaces de cometer los mayores crímenes para luego justificarlos diciendo que son celebraciones de su poder y de su gloria, mientras los muertos se van acumulando, estos de las torres gemelas de Nueva York, y todos los demás que, en nombre de un Dios convertido en asesino por la voluntad y por la acción de los hombres, han cubierto e insisten en cubrir de terror y sangre las páginas de la Historia. Los dioses, pienso yo, sólo existen en el cerebro humano, prosperan o se deterioran dentro del mismo universo que los ha inventado, pero el &quot;factor Dios&quot;, ese, está presente en la vida como si efectivamente fuese dueño y señor de ella. No es un dios, sino el &quot;factor Dios&quot; el que se exhibe en los billetes de dólar y se muestra en los carteles que piden para América (la de Estados Unidos, no la otra...) la bendición divina. Y fue en el &quot;factor Dios&quot; en lo que se transformó el dios islámico que lanzó contra las torres del World Trade Center los aviones de la revuelta contra los desprecios y de la venganza contra las humillaciones. Se dirá que un dios se dedicó a sembrar vientos y que otro dios responde ahora con tempestades. Es posible, y quizá sea cierto. Pero no han sido ellos, pobres dioses sin culpa, ha sido el &quot;factor Dios&quot;, ese que es terriblemente igual en todos los seres humanos donde quiera que estén y sea cual sea la religión que profesen, ese que ha intoxicado el pensamiento y abierto las puertas a las intolerancias más sórdidas, ese que no respeta sino aquello en lo que manda creer, el que después de presumir de haber hecho de la bestia un hombre acabó por hacer del hombre una bestia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al lector creyente (de cualquier creencia...) que haya conseguido soportar la repugnancia que probablemente le inspiren estas palabras, no le pido que se pase al ateísmo de quien las ha escrito. Simplemente le ruego que comprenda, con el sentimiento, si no puede ser con la razón, que, si hay Dios, hay un solo Dios, y que, en su relación con él, lo que menos importa es el nombre que le han enseñado a darle. Y que desconfíe del &quot;factor Dios&quot;. No le faltan enemigos al espíritu humano, mas ese es uno de los más pertinaces y corrosivos. Como ha quedado demostrado y desgraciadamente seguirá demostrándose.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;object width=&quot;420&quot; height=&quot;315&quot; classid=&quot;clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000&quot; codebase=&quot;http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0&quot;&gt;&lt;param name=&quot;allowFullScreen&quot; value=&quot;true&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;allowscriptaccess&quot; value=&quot;always&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;src&quot; value=&quot;http://www.youtube.com/v/TUmePaURzSo?version=3&amp;amp;hl=es_ES&amp;amp;rel=0&quot; /&gt;&lt;param name=&quot;allowfullscreen&quot; value=&quot;true&quot; /&gt;&lt;embed width=&quot;420&quot; height=&quot;315&quot; type=&quot;application/x-shockwave-flash&quot; src=&quot;http://www.youtube.com/v/TUmePaURzSo?version=3&amp;amp;hl=es_ES&amp;amp;rel=0&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; allowscriptaccess=&quot;always&quot; allowfullscreen=&quot;true&quot; /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 03 Apr 2012 10:51:21 GMT</pubDate>
  <title>3 de abril (de 1996)</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/156593.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Camoens&lt;/em&gt; creció, se hizo hombre. Los dientes, que al principio, cuando nos apareció aquí, hace cinco meses, no pasaban de una fina sierra, se han convertido en armas poderosas, y las patas desgarbadas, que antes parecían no saber andar en la misma dirección, aprendieron a soltar golpes violentos y certeros capaces de derribar a cualquier adversario. Ya no se esconde debajo de las camas cuando a &lt;em&gt;Pepe&lt;/em&gt; le entran las furias de su otelinos celos. Ahora responden de igual a igual y las riñas son tremendas. &lt;em&gt;Pepe&lt;/em&gt; no quiere perder la autoridad de &lt;em&gt;primis ocupantis&lt;/em&gt; y, por lo que se ve, &lt;em&gt;Camoens&lt;/em&gt; anda queriendo conquistarla, aunque haya sido el último en llegar. &lt;em&gt;Camoens&lt;/em&gt; es más alto, Pepe más macizo. Están equilibrados. Pero &lt;em&gt;Pepe&lt;/em&gt; tiene la costumbre de luchar ladeando un poco la cabeza, y eso es malo para él, aparte de representar, si el manual no miente, una primera señal de debilidad: como un karateca cinturón negro, &lt;em&gt;Camoens&lt;/em&gt; descarga fulminantes patadas que más de una vez alcanzaron e hirieron el ojo derecho de &lt;em&gt;Pepe&lt;/em&gt;. Es difícil separarlos cuando luchan, parece que llevan dentro, acumuladas, todas las rabias del mundo. Me desespera no poderles hacer entender que en esta casa hay lugar para todos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Atención; aunque los nombres sean humanos, estoy hablando de perros. Lo que me deja todavía una cierta esperanza).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No es la primera carta anónima que me entra en casa pero, al contrario de otras, repugnantemente sucias por los propios insultos con que quieren alcanzarme, ésta, con limpieza y confianza, me dice: “Necesitamos que sigas escribiendo”. Y, finalmente, no es tan anónima. Trae una firma: un camarada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Cuadernos de Lanzarote&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Diario IV&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 27 Feb 2012 00:01:40 GMT</pubDate>
  <title>A Europa e os seus meros mandatários</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/156204.html</link>
  <description>&lt;p&gt;2 de Agosto de 1997&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era inevitável: os jornalistas presentes em Santander estavam mais interessados em pôr-me a falar sobre a vida real do que em discutir as minhas opiniões sobre a arte cinematográfica... Perguntaram-me pela Europa e eu respondi-lhes que a União Europeia não passa de um império económico, e que não gosto de impérios, em particular se se excluem as ideologias políticas ou as reduzem a meras etiquetas sem valor. Perguntaram-me pela democracia, e eu respondi-lhes que a democracia, tal como a estamos vivendo, é uma mentirosa falácia, que não se pode falar de democracia quando sabemos que os governos, resultando de atos eleitorais democráticos, logo se tornam em meros mandatários do único poder real e efetivo, que é o das corporações económicas e financeiras transnacionais. Também me perguntaram pelo comunismo, e eu respondi-lhes que o socialismo não se pode construir nem contra os cidadãos nem sem os cidadãos, e que por isto não ter sido entendido é que a esquerda é hoje um campo de ruínas onde, apesar de tudo, uns quantos ainda teimam em buscar e colar fragmentos das velhas ideias com a esperança de poderem criar algo novo... «Irão consegui-lo?», perguntaram-me, e eu respondi: «Sim, um dia, mas eu já cá não estarei para ver...»&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;In &lt;a href=&quot;http://josesaramago.blogs.sapo.pt/18815.html&quot;&gt;&lt;em&gt;Cadernos de Lanzarote, Diário V&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://media.josesaramago.org/images/Site/bibliografia/cadernos_lanzarote/caminho_capa_V.jpg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;120&quot; height=&quot;188&quot; /&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 17 Jan 2012 00:01:32 GMT</pubDate>
  <title>Las lágrimas del Juez Garzón</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/156042.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Las lágrimas del Juez Garzón hoy son mis lagrimas. Hace años, un medio día, conocí una noticia que fue de las mayores alegría de mi vida: el procesamiento de Pinochet. Este medio día he recibido otra noticia, ésta de las más tristes y desesperanzadas: que quien se atrevió con los dictadores ha sido apartado de la magistratura por sus pares. O mejor dicho, por jueces que nunca procesaron a Pinochet ni oyeron a las víctimas del franquismo.Garzón es el ejemplo de que el campesino de Florencia no tenía razón cuando, en plena Edad Media, hizo sonar las campanas de su iglesia a difuntos ya que, dijo, la justicia había muerto. Con Garzón sabíamos que las leyes y su espíritu estaban vivos porque le veíamos actuar. Con el apartamiento de Garzón de la Audiencia Nacional de España las campanas, después del repique a gloria que harán los falangistas, los implicados en el caso Gurtell, los narcotraficantes, los terroristas y los nostálgicos de las dictaduras, volverán a sonar a muerto, porque la justicia y el estado de derecho no han avanzado, no han ganado en claridad y quien no avanza, retrocede. Tocarán a muerto, sí, pero millones de personas saben señalar el cadáver, que no es el de Garzón, esclarecido, respetado y querido en todo el mundo, sino de quienes, con todo tipo de argucias, no quieren una sociedad con memoria, sana, libre y valiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;En &lt;em&gt;El cuaderno de Saramago&lt;/em&gt;, en 14 mayo de 2010&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://media.josesaramago.org/images/Noticias/capas_caderno_2.jpg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;319&quot; height=&quot;486&quot; /&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 05 Jan 2012 23:55:28 GMT</pubDate>
  <title>Plataforma de sentimientos</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/155873.html</link>
  <description>&lt;p&gt;El perro es una especie de plataforma donde los sentimientos humanos se encuentran. El perro se acerca a los hombres para interrogarles sobre qué es eso de ser humano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Planeta Humano&lt;/em&gt;, Madrid, nº 35, enero de 2001&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 04 Jan 2012 23:56:55 GMT</pubDate>
  <title>Males comunes</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/155523.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Todos estamos hechos de ruindad e indiferencia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Turia&lt;/em&gt;, Teruel, nº 57, 2001&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 03 Jan 2012 21:40:43 GMT</pubDate>
  <title>Página en blanco</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/155221.html</link>
  <description>&lt;p&gt;La pregunta “¿quién eres tú?” o “¿quién soy yo?” tiene una respuesta muy fácil: uno cuenta su vida. La pregunta que no tiene respuesta es otra: “¿qué soy yo?”. No “quién” sino “qué”. El que se haga esa pregunta se enfrentará a una página en blanco, y no será capaz de escribir una sola palabra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;El Universal&lt;/em&gt;, México D.F., 16 de mayo de 2003&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 02 Jan 2012 21:43:33 GMT</pubDate>
  <title>Tiempo y lugar</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/154977.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Somos mucho más hijos del tiempo en que nacemos y vivimos, que del lugar donde nacimos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Rebelión&lt;/em&gt;, Cuba, 12 de octubre de 2003&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 29 Dec 2011 23:15:25 GMT</pubDate>
  <title>La más dispensable de todas las cosas</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/154856.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Hoy en día, el ser humano es la más dispensable de todas las cosas. Que piensen en ello los que nos atormentan los oídos con hipócritas prédicas sobre la eminente dignidad del ser humano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Contrapunto de América Latina&lt;/em&gt;, Buenos Aires, n.º 9, julio-septiembre de 2007&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 28 Dec 2011 23:30:50 GMT</pubDate>
  <title>La capacidad de indignarnos</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/154463.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Hemos perdido la capacidad de indignarnos. De lo contrario el mundo no estaría como está.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;El imparcial&lt;/em&gt;, Madrid, 26 de octubre de 2006&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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</item>
<item>
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  <pubDate>Tue, 27 Dec 2011 23:35:14 GMT</pubDate>
  <title>Estado de bienestar</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/154357.html</link>
  <description>&lt;p&gt;“Estado de bienestar” es más retórica política que realidad social. El Estado de bienestar ha estado unido a la superproducción de bienes de consumo de todo tipo y eso no es un Estado de bienestar. El lenguaje sirve para todo y sirve, muchas veces, de máscara de la realidad.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, Madrid, 20 de noviembre de 2008&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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</item>
<item>
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  <pubDate>Thu, 15 Dec 2011 00:01:14 GMT</pubDate>
  <title>Dos más dos</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/154017.html</link>
  <description>&lt;p&gt;A la gente le gusta dejarse convencer de que dos más dos son cinco. Y si aparece alguien que les dice que dos y dos son cuatro, es un hereje. O un aguafiestas. Sobre todo un aguafiestas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Visão&lt;/em&gt;, Lisboa, 6 de noviembre de 2008&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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</item>
<item>
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  <pubDate>Wed, 14 Dec 2011 00:01:43 GMT</pubDate>
  <title>Adormecidos</title>
  <author>Fundação Saramago</author>
  <link>http://cuaderno.josesaramago.org/153845.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Lo que hay es un adormecimiento a todos los niveles de la sociedad. Este sistema nos adormece, y ahora, simplemente se ríe de nosotros&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Jornal de Notícias&lt;/em&gt;, Porto, 5 de noviembre de 2008&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;José Saramago en sus palabras&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fundacaosaramago/fotos/?uid=kUYL5UuDTSo56lZ0PdY4&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0pt none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e07c81d/9461004_g2eeI.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;341&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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